Investiga-se a ontologia do tempo por meio da prática fotográfica, focalizando o corpo material da câmera como locus de múltiplas temporalidades inscritas na sua materialidade e processos técnico-artísticos de produção e revelação da imagem. Ao escolher a madeira como matéria-prima para a câmera, revela-se na textura e veios a narrativa dos ciclos naturais e do crescimento biológico — o aparelho transforma-se assim num arquivo temporal que antecede sua função tecnológica. A manufatura, englobando concepção, montagem e calibração, integra-se à duração expandida do processo fotográfico, fazendo da câmera um agente ativo na produção do tempo. A técnica da longa exposição em câmeras pinhole tensiona o instante fotográfico ao estendê-lo na imagem, dilatando o mínimo lapso temporal, em paralelo à obra de Michael Wesely, que torna visível a transformação contínua do real. Nesse quadro, a câmera se configura como coautora da experiência temporal da imagem, desafiando a ideia de instante fixo e legitimando a multiplicidade e elasticidade da duração. O resultado é uma temporalidade aberta, onde o presente pulsa como potência criativa e inventiva, expandindo a compreensão do tempo para além do medido e imediato, e oferecendo ao espectador uma experiência sensível da temporalidade contínua e performática.








