A temporalidade presente nas copas das árvores durante uma tempestade é explorada numa investigação que dialoga conceitualmente com a série “Equivalents” de Alfred Stieglitz, buscando não apenas documentar, mas captar e representar um tempo natural que não é construído ou mediado pela ação humana. Inspirado por Stieglitz, que utilizava suas fotografias de nuvens para revelar uma dimensão mais profunda do tempo, o trabalho amplia o registro fotográfico para uma evocação sensível das emoções e da atemporalidade do presente natural, tornando a fotografia uma ferramenta para expressar um tempo fluido, um continuum de estados coexistentes, ritmados por forças e ciclos próprios. A escolha da copa da árvore é simbólica, pois suas folhas e galhos, expostos às forças naturais como vento, chuva e luz, criam uma espécie de “caligrafia” temporal na imagem, tornando a vegetação um arquivo vivo da dinâmica e mutações do tempo natural. Métodos como exposição múltipla e sequências planejadas são empregados para registrar essas transformações contínuas, evitando fragmentar o tempo em instantes isolados, e incentivando a percepção de temporalidades não lineares, características do mundo natural e dos ciclos vitais.