Uma ampliação da investigação sobre a temporalidade ao deslocar a experiência do tempo de uma visão bidimensional para uma composição escultórica tridimensional, utilizando cicatrizes como forma de inscrição topográfica de eventos passados. As marcas visíveis em uma superfície, interpretadas como arquivos somáticos que transcendem o mero vestígio biológico, revelam um fluxo de histórias e transformações que resistem às sucessivas camadas de intervenção, evidenciando uma cronologia própria da matéria. A impressão em papel reforça essa ideia de fragmentação e imperfeição, enquanto as cicatrizes simbolizam uma reconfiguração das trajetórias temporais e de memória, tornando-se uma metáfora de reinterpretação e ressignificação. Ao usar uma superfície plana para as impressões, cria-se um campo de experimentação, onde a fixidez da imagem ou objeto é subvertida pela possibilidade de manipulação contínua, criando uma temporalidade fluida que dialoga com o passado, o presente e o futuro em uma tessitura dinâmica. Assim, o projeto convida à reflexão sobre a plasticidade do tempo, a sua natureza contingente e performativa, e o papel da arte como espaço de reinterpretação constante de nossas próprias narrativas temporais.






