A escolha de uma samambaia como objeto para investigar temporalidades não humanas revela uma abordagem fotográfica experimental inspirada em Edward Weston, cuja busca pela essência atemporal das formas naturais destacava-se pela precisão e nitidez. Ao desconstruir essa fixidez, utiliza-se um caleidoscópio temporal que engloba todas as velocidades de obturação possíveis, desde o disparo ultrarrápido até exposições prolongadas de até 30 segundos. Essa variação extrema permite uma reflexão sobre como o tempo influencia a percepção da forma: obturadores rápidos congelam o instante, revelando detalhes invisíveis ao olho nu e aproximando-se de um conceito de não-tempo; já exposições longas capturam os movimentos fluídos das folhas, traduzindo a duração em sua essência. As imagens geradas formam uma crônica técnica da interação contínua entre luz, tempo e forma, compiladas em um videoclipe time lapse que expande a experiência temporal do espectador ao tornar visível o processo criativo. Esse trabalho desafia a concepção tradicional da fotografia como captura de um instante isolado, apresentando a imagem como um espaço onde múltiplas temporalidades coexistem e se entrelaçam. A samambaia, assim, torna-se catalisadora para pensar o tempo como uma tapeçaria fluida de durações, estimulando uma reflexão profunda sobre a plasticidade perceptiva e a natureza dinâmica do tempo na arte contemporânea.