A obra segue a partir da experiência artística “Costura da Memória”, que revela a complexidade da temporalidade na constituição imagética, explorando a fragmentação e a imperfeição como elementos essenciais na formação das memórias. Ao utilizar papel amassado e rasgado, simboliza a natureza seletiva e fragmentada da memória humana, enquanto a costura atua como metáfora para a reconexão, reconstrução e reinterpretação do passado, ativando suas múltiplas camadas e trajetórias. Essa abordagem evidencia que as narrativas do passado não são fixas, mas contínuas e reescritas a partir do presente, desafiando a linearidade histórica e a noção de memória como repositório estático. A imperfeição do papel reforça a subjetividade e a construção pessoal da imagem, transformando a obra em um monumento à duração, à presença do tempo vivido no corpo e na matéria. Funciona como laboratório que reflete sobre a tessitura temporal, a plasticidade do passado e a contingência da percepção, convidando à compreensão da memória como uma força dinâmica, fluida e coletiva, sempre em transformação e reescrita no espesso corpo da história pessoal e social.